Dissertação de mestrado de Marielle Franco revela o desaparecimento de mais de seis mil pessoas

O caso de Amarildo e mais de seis mil desaparecidos em todo o Estado do Rio de Janeiro. Milhares de cidadãos que não retornaram ao convívio familiar. Este foi um dos números da violência apontado na dissertação de mestrado de Marielle Franco, vereadora e ativista de direitos humanos, assassinada juntamente com o seu motorista Anderson Gomes.

Outras constatações encontram-se disponíveis no sistema de informação da Universidade Federal Fluminense (RIUFF). Intitulada “UPP – a redução da favela a três letras: uma análise da política de segurança pública do estado do Rio de Janeiro”, Marielle já reforçava o problema social chamado Estado Penal, com foco na repressão dos mais pobres. Ver mais em http://biblioo.info/dissertacao-de-mestrado-de-marielle-franco/

Na pesquisa, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), em 2007, as autoridades públicas registraram 4.633 desaparecimentos; em 2012, foram anotados 5.934 casos. Um crescimento de 23,7% nas estatísticas oficiais sobre o assunto. Em seis anos, o somatório alcança a soma de 32.073 pessoas sumidas. Marielle apontava grande carência de levantamentos em relação aos mortos, quantos retornaram a seus lares e quantos foram achados com vida em outros locais.

A vereadora salientou o problema envolvendo os jovens. Na dissertação apontou que eles são privados de suas manifestações culturais como também do direito de ir e vir. O toque de recolher, as revistas constantes sob mira dos canos dos fuzis, os maus tratos recorrentes pelas abordagens policiais e os abusos de autoridade são marcas do projeto.

Analisando o viés econômico, Marielle enfatizou a entrada dos grandes negócios e o crescimento da especulação fundiária. “Quando se analisa a alta dos preços nas favelas, alguns estabelecimentos comerciais, por exemplo, fecharam as portas por não conseguirem arcar com as taxas decorrentes do processo de regularização. Aliado a isso, observou-se uma valorização de até 200% no preço dos imóveis, tanto para aluguel quanto para compra e venda, após a ocupação da favela pela Polícia Pacificadora”.

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