Câncer de mama: as dificuldades das pacientes que se tratam pelo SUS

Muitas são as dificuldades de mulheres que procuram o Sistema Único de Saúde para o tratamento do câncer de mama. Pelo SUS estão em uso atualmente cerca de 5 mil mamógrafos em todo o Brasil, segundo o Ministério da Saúde. “Esse número é suficiente, no entanto, são mal distribuídos. A maioria está nas grandes cidades e capitais, deixando boa parte da população do interior descoberta, com impossibilidade de fazer o exame de maneira rápida”, alerta Ruffo de Freitas Júnior, presidente do Conselho Deliberativo da Sociedade Brasileira de Mastologia.

Segundo o especialista, outros problemas que precisam ser enfrentados é a dificuldade para agendar e realizar a mamografia, equipamentos quebrados em hospitais e a falta de técnicos qualificados para operá-los. É preciso melhorar a burocracia para a marcação, realização e entrega das mamografias; a criação de mais locais para a biópsia; a qualidade dos aparelhos e dos exames; amenizar o medo do desconforto e do diagnóstico.

A baixa taxa de realização de mamografia pode trazer consequências, reforça o especialista. Ele explica que boa parte das mulheres brasileiras descobre os tumores pelas próprias mãos, com tamanhos de 2 cm ou mais.  “Daí os tratamentos passam a ser mutilantes e de maior quantidade de pessoas utilizando quimioterapia. Se o diagnóstico fosse feito em fase precoce, certamente haveria maior possibilidade de controle e menos mortes por câncer de mama”.

O presidente do Conselho Deliberativo da Sociedade Brasileira de Mastologia afirma ainda que há mamografia de boa e baixa qualidade, tanto na rede privada quanto na pública. Existe um programa de avaliação de qualidade em mamografia, chamado PNQM, realizado junto ao INCA, que avalia todos os mamógrafos públicos, e, mais recentemente, ampliaram para os particulares. “Há serviços que não estão entregando os filmes para as pacientes, não há investimento em qualificação da equipe e controle de parâmetros técnicos radiológicos”, completa.

A cobertura de exames mamográficos nas mulheres na faixa etária entre 50 e 69 anos, atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2017, é a pior dos últimos cinco anos. O levantamento da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa em Mastologia, aponta que, no país, apenas 2,7 milhões de mamografias foram efetivamente realizadas, quando eram esperadas 11,5 milhões. A cobertura corresponde a 24,1%, contra os 70% recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O estado com o menor número de mamografias é o Amapá, com a realização de 260 exames dos 24 mil esperados. O Distrito Federal ficou em segundo, com 5 mil análises feitas diante de uma expectativa de 158,7 mil esperados. Rondônia aparece em terceiro neste triste ranking: dos 76,9 mil avaliações esperadas, 5,7 mil acabaram feitas.

 

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