Cine Psiquiatria aborda o papel da mulher no casamento em “A Esposa”

O filme “A Esposa”, que irá concorrer ao Oscar 2019, foi tema do CinePsiquiatria de fevereiro, realizado no sábado, dia 16, às 10h30, no GNC Cinemas do Praia de Belas Shopping. Com sala lotada, o público assistiu a atuação da indicada ao Oscar e vencedora do Globo de Ouro de Melhor Atriz, Glenn Close, como também debateu o papel da personagem com a presença da escritora Cláudia Tajes e do psiquiatra Dr. Walmor Piccinini. O longa dirigido por Björn Runge conta a história de Joan Castleman (Close), que é casada com um escritor prestes a receber o Prêmio Nobel de Literatura. Ela, que passou 40 anos ignorando os próprios talentos literários para valorizar a carreira do marido, decide abandoná-lo. Durante a viagem para Estocolmo as mágoas por ter vivido sempre à sombra do parceiro ganham intensidade dramática.

O filme começa abordando o papel da mulher no mercado editorial nos anos 50. Época em que as chances de publicação para elas, e, consequentemente, o prestígio e o reconhecimentos dos leitores masculinos, eram bem mais difíceis. No decorrer do filme, o telespectador vai descobrindo todos os acordos e pactos feitos em um relacionamento. O final é surpreendente. Deixa no ar a pergunta. Afinal, quem é a vítima? quem usou quem? faltou coragem para ela seguir sua própria carreira e não usar o marido para obter sucesso?

Após a sessão, a plateia apontou aspectos importantes da produção, colocando em dúvida a vitimização ou não da personagem. Para o psiquiatra Walmor Piccinini, muitos homens não suportam a ideia da esposa ganhar mais, ou ser admirada profissionalmente. “O grande problema é a falta de tolerância com os defeitos um do outro. Muitos casais não querem abrir mão dos seus hábitos ou do ego em nome do companheirismo”, diz ele.

Rosane Bolner, de 49 anos, analisa a relação do casal na produção norte-americana, e também na vida real, como uma simbiose. “Ambos se utilizam um do outro para os seus interesses”. Segundo ela, hoje ainda é possível ver mulheres que permanecem no anonimato, porém é necessário analisar até que ponto uma pessoa pode anular seus sonhos, uma carreira, por outra. “O filme nos faz refletir. É preciso que um casal tenha em mente o papel de cada um desempenhado na vida a dois”, ressalta. Luciana Bettoni, 40 anos, reforça a necessidade do equilíbrio. “Não é possível na vida sermos protagonistas e estar sob os holofotes o tempo inteiro. E em relação ao personagem da Glenn Close, ela não tinha visibilidade. O reconhecimento público. A premiação do marido fez com que ressentimentos e angústias viessem à tona”, disse.

Promovida pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Associação de Psiquiatria da América Latina (APAL) e, localmente, pela Associação de Psiquiatria Cyro Martins (CCYM). A ação, em sua 22ª edição, será coordenada pelo vice-presidente do Centro de Estudos Cyro Martins (CCYM), o médico psiquiatra Dr. Euclides Gomes, e pelo presidente da APAL, o médico psiquiatra Dr. Antônio Geraldo da Silva.

 

 

 

 

 

Convidados e público analisam a produção norte-americana Crédito: Martha Becker Comunicação/Divulgação

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