Dica de leitura: Revista Estudos Legislativos HeforShe aborda questões de gênero

Dica de leitura em tempos de machismo e de declarações de ódio contra as mulheres. A 11ª edição da Revista Estudos Legislativos, da Assembleia Legislativa do RS, organizada ao longo de 2017, na gestão do ex-presidente Edegar Pretto (PT), reúne artigos acadêmicos voltados exclusivamente para questões de gênero. A capa da publicação traz o símbolo do Movimento Eles por Elas (HeForShe) da ONU Mulheres e será distribuída para escolas e bibliotecas de todo o estado. Já nas primeiras páginas, a constatação: com 55 das 513 vagas (10,7%) da Câmara Federal e 12 das 81 vagas (14,8%) do Senado ocupadas por mulheres, o Brasil ocupa o 154º lugar em participação política de mulheres nos parlamentos. Quanto à eleição de mulheres para o cargo de Deputada Estadual, que compõe as Assembleias Legislativas, o porcentual nacional é de cerca de 11% dos assentos.

O livro aborda, por meio de artigos, o emprego do termo gênero para designar as diferenças entre homens e mulheres. Sua introdução nas pesquisas de diversas áreas remontam à segunda metade do século XX, quando eclodiram os movimentos feministas. Faz ainda menção ao revenge porn, que consiste na publicação não autorizada de vídeos e imagens íntimas da pessoa ou do casal. Economicamente, a revista destaca a feminização da extrema pobreza, apontando cinco dimensões, tais como vulnerabilidade, acesso ao conhecimento e ao trabalho, escassez de recursos e desenvolvimento infantil. Outro capítulo descreve o pioneirismo da Lei Maria da Penha, um estudo sobre réus julgados no juizado da violência doméstica em Pelotas. Nas narrativas, vários réus conviveram com um pai violento e podem pensar que é natural reproduzir relações que experimentaram.

Por fim, os Estudos Legislativos HeForShe reforça o fato dos partidos destinar 30% das vagas nas eleições para a candidatura de mulheres. Isso, porém, não cria a responsabilidade dos partidos com um novo empoderamento político das mulheres. Importante para desmentir o fato de que mulheres não votam em mulheres, 79% afirmaram ter feito a opção por elas nas cédulas, mas, os resultados, porém, mostram uma quantidade muito menor de eleitas no processo. Por fim, a obra faz uma análise literária da obra de Rachel de Queiroz, com a participação da mulher e a sua atuação nas lutas operárias. A mulher ocidental em Peter Pan, uma personagem feminina adulta do conto de James Barrie é inglesa, mãe de família e esposa zelosa, a própria personificação do ideal burguês do século XIX.

Foto de Marcelo Bertani

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