Diferenças no tratamento do câncer de mama pelo SUS revelam desigualdades no país

Nas principais cidades brasileiras, mulheres que precisam do SUS para o tratamento do câncer de mama enfrentam realidades diferenciadas. Enquanto algumas regiões destacam-se pela excelência no tratamento, outras passam por dificuldades, colocando em risco a vida de pacientes. O árduo caminho começa pela demora no período entre a suspeita da doença até sua confirmação com a biópsia.

Segundo Ana Lúcia Gomes, coordenadora de Advocacy e Relações Institucionais da Femama, em alguns casos, o processo inicial leva até seis meses, um tempo precioso em casos mais graves. “Não temos aparelhos suficientes, vários estão quebrados. Em algumas localidades do país, nem médicos mastologistas disponibilizamos”, avalia.

A coordenadora de Advocacy revela que diversos projetos de lei estão em tramitação na Câmara dos Deputados relativos ao acesso no diagnóstico e tratamento do câncer, objetivando direitos efetivos para milhares de pacientes oncológicos no País. No pacote está um PL que determina a realização do exame em até 30 dias no SUS. Também consta a inclusão de testes responsáveis por apontar mutação nos genes BRCA1 e BRCA2 no sistema público de saúde, para avaliar a predisposição da doença em mulheres, permitindo medidas preventivas.

Perfil da paciente

Outros projetos solicitam a adoção do registro compulsório do câncer no país, medida necessária para ampliar e qualificar os dados sobre a doença e orientar melhor a gestão pública de recursos em saúde. “Precisamos registrar tudo. Quanto tempo demorou o tratamento, que tipo de tratamento foi realizado, etc. Não conhecemos o perfil da paciente”, reforça Ana Lúcia. Além da demora no diagnóstico e a espera no acesso ao tratamento, a falta de opções terapêuticas adequadas são outros problemas sérios para pacientes oncológicos no país.

Representante da Associação Brasileira de Apoio aos Pacientes de Câncer, Solange Gomes de Oliveira relata a demanda em medicação para aquelas com câncer metástico, em especial no Rio de Janeiro. “Muitas precisam interromper o tratamento, já que as farmácias dos hospitais não fornecem a medicação necessária. As leis não são cumpridas”, afirma.

Diretor da Sociedade Brasileira de Mastologia, Jorge Biazus analisa a situação ao ressaltar que o SUS é uma entidade gigantesca e heterogênea, com ilhas de excelência e bolsões de miséria. “Existem áreas mais organizadas no país, mas, em outras, não há equipes multidisciplinares para realizar a reconstrução mamária. Além disto, apontamos dificuldades em conseguir implantes e material”, avalia o médico. “Não basta apenas um cirurgião para realizar o procedimento, por melhor treinado que seja. O procedimento é complexo e os resultados não são imediatos”, completa.

Falsos negativos

Exames que apontam resultados imprecisos ou errados no diagnóstico para o câncer de mama é outro problema enfrentado por muitas pacientes no país. Jorge Biazus revela que centros terceirizados vendem pacotes de serviços para o SUS com tecnologia ultrapassada e de baixa resolução. “Precisamos auditar, ter maior controle e rigorismo”, completa.

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