“Elas por Elas”: CNJ defende igualdade de gêneros e direito das mulheres

(Da esq. para a dir.): a presidente da Rede Sarah de Hospitais, Lucia Braga; a presidente da Rede Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano; a sócia-fundadora da consultoria empresarial Betânia Tanure Associados, Betânia Tanure; da cantora Alcione; a presidente do grupo financeiro Goldman Sachs, Maria Silvia Bastos; e a primeira-secretária da Academia Brasileira de Letras, Ana Maria Machado. Crédito: G.Dettmar/AG.CNJ

 

As conquistas da mulher bem como os desafios que enfrenta por reconhecimento e inserção na sociedade estiveram em debate no seminário “Elas por Elas”. O evento organizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) reuniu, na segunda-feira (20/8), no Supremo Tribunal Federal (STF), mulheres que são autoridades do Poder Judiciário, executivas no setor privado e nomes proeminentes do mundo das artes e do entretenimento. A situação do sexo feminino foi abordada em duas temáticas: “A Mulher e o Poder Estatal” e a “A Mulher e o Poder na Sociedade”, colocando em discussão os avanços das últimas décadas, mas também a desigualdade persistente em várias esferas como em relação aos direitos, remuneração e participação em cargos de chefia.

Na abertura do evento, a presidente do CNJ e do STF, ministra Cármen Lúcia, chamou a atenção para o aumento dos casos de violência contra a mulher, fazendo referência aos casos de feminicídio. “Ainda hoje é comum o enforcamento de mulheres que significa, simbolicamente, calar a sua voz”, comentou. Para a ministra Cármen Lúcia, a mulher precisa buscar reconhecimento em uma postura de agente ativo da sua mudança. “É responsabilidade da mulher que as coisas mudem e se transformem para que tenhamos realmente igualdade de condições, homens e mulheres, juntos tentando construir um mundo melhor.”

Em sua contribuição para o debate, a presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministra Laurita Vaz, lembrou a pouca participação da mulher no Poder Estatal e, especificamente, no Poder Judiciário. “De 33 ministros no STJ, somos apenas seis. E de 11 ministros no STF, somos duas mulheres e até hoje nunca vimos uma mulher na presidência do Tribunal Superior do Trabalho”, disse. Ao falar da importância da Lei Maria da Penha e da lei do feminicídio, Laurita Vaz lembrou que nem mesmo a existência desse arcabouço legal está sendo capaz de dissuadir homens violentos.

No painel “A mulher e o Poder na Sociedade”, a presidente da companhia Magazine Luiza, Luiza Trajano, informou que 50% da força de trabalho da rede varejista é formada por mulheres de todas as idades. Considerando a presença do sexo feminino, a rede Magazine Luiza criou um canal direto com as mulheres em uma espécie de boletim sobre indícios de violência doméstica. “Já tivemos 120 casos desses e salvamos vidas”, disse Luiza Trajano. No mundo das artes, a escritora Ana Maria Machado, primeira-secretária da Academia Brasileira de Letras, trouxe à tona a questão do acesso à cultura e à educação, historicamente restrito às mulheres em comparação aos homens.

A escritora lembrou que, décadas atrás, às estudantes mulheres não era permitido o ensino do latim e do grego, o que as impedia de ter acesso aos grandes clássicos da antiguidade e às grandes personagens femininas como Antígona, da tragédia grega de Sófocles. “Entre os casos de feminicídio mais frequentes hoje está o esganamento. A mulher é sufocada, estrangulada porque está falando muito. Essa ideia de que não pode estudar, não pode falar”, comentou a escritora.

A cantora Alcione encerrou o seminário “Elas por Elas”, lembrando a presença de diversas mulheres de várias classes sociais que são destaques na sociedade brasileira, entre as quais a vereadora Marielle Franco (Psol), morta a tiros em março deste ano no Rio de Janeiro em circunstâncias que ainda estão sob investigação. Também participaram do painel: a presidente do grupo financeiro Goldman Sachs, Maria Silvia Bastos; a presidente da Rede Sarah de Hospitais, Lucia Braga; e a sócia-fundadora da consultoria empresarial Betânia Tanure Associados, Betânia Tanure.

Luciana Otoni
Agência CNJ de Notícias

Crédito das fotos: G. Dettmar/AG.CNJ

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *