Empregabilidade de mulheres em situação de violência

A Ouvidoria-Geral da Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul (DPERS), com apoio do Núcleo de Defesa da Mulher (NUDEM) e do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo, promoveu no final do mês de setembro o seminário “Autonomia Econômica e Violência Doméstica”, com a participação da especialista no tema, fundadora e diretora da “Second Chance Employment Services”, colunista do Huffington Post e autora de livros, a norte-americana Ludy Green.

Na palestra “Enfrentando a Violência Doméstica: Um Guia para a Liberdade Econômica”, a pesquisadora fez uma apresentação sobre sua organização nos Estados Unidos, que atua na área de empregabilidade de mulheres agredidas. Em mais de duas décadas de atividades comunitárias em albergues, Green aponta dois motivos pelos quais as vítimas acabam voltando para os seus algozes. “É a falta de oportunidade no mercado de trabalho e mais qualificação, causando a dependência financeira”, diz.

Crédito: Divulgação Defensoria Pública do Rio Grande do Sul

Com base nesta experiência a autora fundou em 2001 a “Second Chance Employment Services” com a ajuda de associados. O reconhecimento do governo estadunidense veio em 2013. O lema é “O que podemos fazer por ela”, incluindo não somente a ajuda na procura por emprego, mas serviços de saúde, estética, entre outros. “Oferecemos dentista, cabeleireiro e cirurgião plástico. Tudo sem custo. Pois sentimos o fato da aparência física ser levada em consideração ao preencher uma vaga”, revela. Os desafios estão associados aos altos índices de violência.

Nos Estados Unidos, uma em cada quatro mulheres já sofreu violência doméstica. O custo é de 8,3 bilhões de dólares para o Governo. Segundo pesquisas, Ludy Green afirmou que há três tipos de abusos e são eles: físico, verbal e econômico; e há três estágios de ocorrência: Príncipe Encantado, Abuso e Captividade (privação do poder). A especialista falou sobre o impacto no ambiente de trabalho delas. “Abstenção, falta de concentração, preocupações com segurança, produtividade, foco. As vítimas perdem seus trabalhos porque os abusadores vão até lá para constrangê-las.

Muitas vezes faltam seus expedientes porque foram surradas na noite anterior. Na América, não temos políticas públicas para solucionar isso. Me conectei a empresas para gestionar o problema e estabelecer políticas”, exemplificou. A agência de empregos fundada por Ludy é especializada em captar oportunidades de empregos para as mulheres vítimas de violência. Segundo ela, as empresas dos Estados Unidos priorizam as suas clientes. No total, foram mais de 10 mil recolocadas no mercado de trabalho. Todas as atividades são registradas, com os respectivos resultados, progressos e relatórios de treinamento, em tempo real.

Abuso econômico

Além do abuso físico e verbal, existe o econômico, quando o companheiro tira da mulher o sustento financeiro. “É privar a utilização do carro, do cartão de crédito, fazer perder o emprego e destruir todas as relações profissionais”, relata Green. Segundo ela, um departamento de recursos humanos preparado dentro das empresas faz toda a diferença. “Os empregadores perdem bilhões de dólares com a violência doméstica”, revela. A equipe que trabalha na Second Chance Employment Services é formada por cinco mulheres, dez homens e conta com a ajuda de mais de 500 voluntários. “Estamos nos expandindo para mais seis cidades dos Estados Unidos”, diz ela.

De acordo com a Ouvidora-Geral da Defensoria Pública, Denise Dourado Dora, o Brasil, que está na quinta posição de violência doméstica com o número crescente de homicídios, apesar de ter uma lei (Maria da Penha), exige que se discuta novas soluções. “Temos um cardápio de soluções para o enfrentamento de violência doméstica que tem sido limitado em sua capacidade de resolver o problema. É o momento de pensar em aumentar esse cardápio, ampliar a alternativa. O que a Dra. Ludy Green nos conta hoje é uma experiência corajosa e inovadora que traz muitas novas ideias”, destacou.

Números da violência nos Estados Unidos:

Uma em cada três mulheres adultas já passaram pela experiências de agressão física pelo parceiro;

Em 1998, 16,8% das mulheres acima de 65 anos eram pobres, em comparação com 6,2% dos homens;

Três mulheres são assassinadas por seus maridos ou namorados todos os dias nos Estados Unidos;

A cada ano, quatro milhões de mulheres americanas são vítimas de violência doméstica pelo parceiro;

13 milhões de mulheres que vivem na pobreza são chefes de famílias americanas.

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