Estátua de sufragista é inaugurada no centro de Londres

O movimento sufragista está completando 100 anos. Para celebrar um dos mais importantes movimentos feministas do mundo, dando às mulheres o direito de votar, foi inaugurada nesta terça-feira (dia 24 de abril), no centro de Londres, na Praça do Parlamento, a estátua da líder Millicent Fawcett. Conhecida por ser uma ativista empenhada, ela concentrava suas energias na luta para melhorar as oportunidades das inglesas no acesso às instituições de ensino superior. Ao redor da instalação, 52 fotografias impressas em azulejos representam as 59 personagens-chave, e alguns homens, centrais da história no Reino Unido.

A estátua, criada pela escultora Gillian Wearing, vencedora do Prêmio Turner, mostra a sufragista segurando um cartaz onde se lê “a coragem chama a coragem em todos os lugares”, baseada em um discurso proferido por Fawcett depois da morte da colega Emily Wilding Davidson, morta por um cavalo, no Derby de Epsom, ao tentar chamar a atenção para a causa do direito ao voto. A campanha começou em maio de 2016, quando a ativista Caroline Criado-Perez percebeu que na praça existiam onze estátuas, mas que eram todas de homens. Foi então que criou uma petição, recebendo mais de 85 mil assinaturas, entre as quais a da atriz Emma Watson e da escritora JK Rowling. “Estou emocionada em saber que recebemos a autorização para instalar não só a primeira estátua de uma mulher na Praça do Parlamento, mas também a primeira estátua criada por uma mulher”, afirmou Perez.

Para reforçar a importância do centenário, o parlamento lançou o Vote 100, uma série de eventos com a duração de um ano, incluindo palestras gratuitas com foco na campanha pelo sufrágio e das mulheres no parlamento. E, ainda, uma exposição pública com objetos históricos importantes de coleções parlamentares, festas de chá e um curso online aberto intitulado Além da Votação: Direitos das Mulheres e Sufrágio de 1866 até os dias de hoje. Em setembro, será realizada uma conferência acadêmica internacional sobre as mulheres do passado e do presente, em colaboração com a History of Parliament Trust.

Índices

O prefeito de Londres lançou uma campanha #BehindEveryGreatCity para defender o fato de que são as conquistas e as contribuições das mulheres, de todas as esferas da vida, que tornam grandes as cidades como Londres. “Este ano, estamos certos em comemorar o enorme progresso feito desde 1918, quando algumas mulheres, não todas, tiveram o direito de votar”, disse o prefeito, Sadiq Khan. “Queremos marcar o progresso que fizemos nos últimos 100 anos, mas, o mais importante, usá-lo como um trampolim para combater a desigualdade de gênero.” Segundo pesquisa da ONG Fawcett Society, menos da metade das jovens estão confiantes de que a representação igualitária no parlamento será alcançada durante sua vida, 58% das mulheres de 18 a 24 anos apoiam o uso de metas em partidos políticos, e 53% de 18 a 24 anos anos de idade e 51% de 25 a 34 anos de idade apoiam uma mudança na lei.

Revelando o colapso de gênero na política, o Índice Fawcett revela que as mulheres representam 26% dos ministros de gabinete. As mulheres lideram 33% dos comitês selecionados e representam 26% da Câmara dos Lordes. No governo local, apenas 17% dos líderes do conselho são mulheres, em comparação com 33% dos vereadores. As mulheres representam apenas 11% dos representantes da autoridade combinada e 17,5% dos comissários da polícia e do crime. Nenhum dos seis prefeitos metropolitanos eleitos diretamente são mulheres.

Na vida pública, apenas 16,7% dos juízes da Suprema Corte são mulheres e, para os vice-reitores universitários, a cifra é de 26%. Enquanto 62,5% dos professores do ensino secundário são mulheres, apenas 38% das escolas têm um diretor feminino. Elas também estão sub-representadas nas artes, de acordo com a análise, representando 65% do público de teatro, mas apenas 39% dos elencos e 28% dos dramaturgos. As mulheres estão super-representadas em algumas áreas: representam 91% dos personagens de prostitutas e 91% das empregadas domésticas na tela. Apenas 2,7% das estátuas no Reino Unido representam mulheres.

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