Início do ano começa com altos índices de violência contra a mulher no RS

No aspecto relativo à violência, uma das mais cruéis formas de manifestação da desigualdade de gênero, o número de mulheres assassinadas no Rio Grande do Sul em uma década cresceu cerca de 90%, o que fez o Estado ultrapassar a taxa média de homicídios de mulheres do Brasil. No último ano, o número de feminicídios consumados no Rio Grande do Sul passou de 83 para 117, um crescimento de 41%.

O número de tentativas de feminicídio é ainda mais alarmante: em 2018, 355 mulheres foram vítimas desse crime no Estado. Segundo Indicadores de Violência contra a Mulher no RS, da Secretaria de Segurança Pública do Estado, nos dois primeiros meses do ano, 6.555 mulheres já foram vítimas de ameaças, 3.848 sofreram lesões corporais, 242 estupros, 67 tentativas de feminicídios e 4 consumados. Até o momento foram expedidas 12 prisões preventivas, conforme informação da 1ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher.

Segundo a delegada titular, Tatiana Bastos, as mulheres costumam tolerar atos de violência caladas de 8 a 10 anos. E por vários motivos: medo de represálias, dependência econômica, existência de filhos, isolamento, baixa autoestima. “A violência contra a mulher não teve um tratamento adequado por séculos. Precisamos trabalhar em rede”, diz ela. Vice-presidente Cultural da Ajuris, a juíza Madgéli Frantz Machado ressalta que é preciso abrir espaço no ambiente escolar para a discussão do problema.

O crime de estupro também cresceu nos últimos quatro anos, chegando à marca de 1.712 casos em 2018, o que significa uma ocorrência a cada cinco horas. Este é um dos cenários que integram o estudo sobre as condições das mulheres gaúchas em vários âmbitos, produzido pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), que teve seu lançamento por parte da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag).

A técnica do Núcleo de Doenças e Agravos não Transmissíveis do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), Márcia Fell, apresentou os dados epidemiológicos da violência sexual em todas as faixas etárias e gêneros. O levantamento mostra que meninas de 10 a 14 anos são as principais vítimas de violência sexual no Rio Grande do Sul. Esse grupo representa 30,3% dos casos notificados pelos municípios no Sistema Nacional de Notificações (Sinan).

Segundo ela, a maior parte dos casos ocorre nas residências, o que leva a crer que os agressores são conhecidos das vítimas. Outro dado que requer atenção é que cerca de 45% dos casos é de repetição, o que pode configurar violência crônica. Mesmo que o tipo de violência mais notificado no RS seja a violência física (43%) dos casos, a violência sexual (10%), ainda aparece como um dado importante porque, conforme a técnica do Cevs, na realidade esses números devem ser de 4 a 5 vezes maiores, devido à vergonha e falta de coragem das pessoas em procurarem os serviços.

Uma das orientações mais importantes é que os casos de violência sexual aguda devem chegar aos serviços de saúde em até 72 h para que seja feita a profilaxia para a infecção pelo HIV. Após 72 h, deverão ser realizados exames de investigação de Infecções Sexualmente Transmissíveis ISTs/HIV. Existe também a anticoncepção de emergência. Todos os serviços de saúde devem estar preparados para oferecer respostas a essas demandas.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *