Médicos revelam novas terapias e evoluções no tratamento do câncer de mama

Dr. Pedrini: “A terapêutica será individualizada”. Crédito: Ocimar Pereira GHC

 

Atendimento personalizado, cirurgias menos agressivas, utilização de tecnologia de ponta e vacinas. Além disto, a chegada de novos medicamentos, os chamados biossimilares, em 2018, por empresas privadas e laboratórios públicos para o tratamento do câncer de mama, baixando os custos no tratamento pelo SUS, prometem mais assertividade e menos efeitos colaterais. Atualmente, não há uma mulher que não se preocupe com a doença. E com motivos. Em território nacional, estima-se que 57.960 novos diagnósticos de câncer de mama sejam feitos em 2017, conforme estimativa do INCA (Instituto Nacional de Câncer). No Rio Grande do Sul, serão 5,5 mil.

Pesquisadores, oncologistas, mastologistas e profissionais da área da saúde demonstram estar confiantes com os resultados obtidos. Há exatamente 20 anos todas as pessoas diagnosticadas com a doença recebiam o mesmo tipo de tratamento. Hoje, desde a biópsia é possível ver o perfil biológico do tumor. As análises permitem identificar traços do câncer que são específicos daquela pessoa. As terapias alvo vêm se mostrando eficazes nos últimos anos e irão se intensificar e aperfeiçoar, em especial nos tipos de câncer de mama mais agressivos, em 20% e 30% dos casos. As drogas que antes atingiam todas as células do corpo, sem distinção, passarão a atuar somente no tumor. A vantagem é agir mesmo quando os medicamentos quimioterápicos não respondem, além de menos efeitos colaterais.

“A terapêutica será individualizada, focada. É como se fosse um alfaiate, com um tratamento modelado para cada paciente”, afirma José Luiz Pedrini, chefe do Serviço de Mastologia do Hospital Conceição. Pesquisador, o médico reforça que o objetivo é “vestir” a mulher com o tratamento dirigido ao tipo molecular, mais especificamente, ao seu genoma. Em cerca de 20% dos casos, as células cancerosas têm uma proteína que promove seu crescimento, denominada HER2+. Medicamentos foram desenvolvidos para atacar este alvo, como o Trastuzumabe, Pertuzumabe, e outros. “Uma maneira de fazer com que os nossos linfócitos destruam os tumores”, diz ele.

Pedrini também acredita nas vacinas, seguras, dirigidas, e com poucos efeitos colaterais. Uma delas é o chamado Cavalo de Troia, anticorpos carregados com substância tóxica e que atuam dentro da célula alvo. O Brasil, por sua vez, também está testando o Atezolizumabe, que promete agir no bloqueio das células das proteínas de defesa dos tumores. “Esperamos que em breve, a quimioterapia tradicional seja somente utilizada para casos especiais”, completa. “O índice de cura vai depender do tipo do tumor, localizado, ou o metastático. Mas, em geral, conseguimos 70% de cura. Em estágio inicial, podemos chegar a mais de 90%”.

Redução de custos

Outra alternativa apontada por especialistas é a utilização de remédios biossimilares, mais complexos do que os sintéticos. Mas, não são genéricos (cópias idênticas aos originais). O primeiro medicamento disponível no mercado, com chegada prevista para 2018, será o biossimilar do Trastuzumabe. A expectativa é a redução das despesas com a saúde no setor público. “Prevemos uma diminuição de 30% no preço, ampliando o acesso e reduzindo os custos do tratamento pelo SUS”, acredita o oncologista clínico e diretor científico do Latin American Cooperative Oncology Group, com sede em Porto Alegre, Márcio Debiasi.

Debiasi afirma que Biossimilares chegarão em 2018 Crédito: Divulgação

Segundo o cientista, estudos realizados na União Europeia, estimam que os biossimilares serão responsáveis por uma economia entre 11,8 bilhões e 33,4 bilhões de euros entre os anos de 2007 e 2020. No entanto, estes números podem crescer. Isto porque as patentes de medicamentos biológicos estão expirando, fazendo com que a indústria farmacêutica e os órgãos dos governos passem a desenvolver suas regulamentações, aprovando a tecnologia.

Mercados de continentes do primeiro mundo, como Estados Unidos, por exemplo, vem apresentando resultados positivos. Os biossimilares são medicamentos complexos que exigem profundo conhecimento científico sobre o medicamento de referência, além do domínio total de fabricação. “O importante é que estas medicações são auditadas por um detalhado processo regulatório que garante a sua eficácia e segurança”, diz o especialista.

Outras evoluções

Chefe do Serviço de Mastologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Jorge Biazus, por sua vez, destaca inovações na radioterapia. As doses serão fracionadas e diminuídas. Em algumas situações, a paciente só faz uso deste tratamento durante o procedimento cirúrgico. Baseado no princípio de que é possível aquecer as células cancerosas para matá-las, representam um distanciamento radical da abordagem-padrão: extirpar a mama toda ou pelo menos parte dela. “No futuro, esperamos destruir a doença sem fazer intervenções no corpo da mulher”, confirma.

Jorge Biazus destaca inovações na radioterapia Crédito: Clóvis Prates

Aparelhos de última tecnologia também passarão a ser fortes aliados no combate à doença. No diagnóstico, segundo João Bosco, Presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia regional São Paulo, a tendência para os próximos 10 anos será a da mamografia com contraste e a 3D, também conhecida como Tomossíntese, uma das grandes evoluções para o diagnóstico do câncer de mama, reduzindo margens de erros. A imagem é mais clara, permitindo que o médico perceba toda a estrutura dentro da glândula mamária. A tecnologia já é aprovada no Brasil há alguns anos, porém ainda pouco utilizada. “Não oferecemos pelo SUS. Estamos falando de novas promessas. Ainda vamos precisar de tempo”, diz ele.

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