Ministra do TSE aponta desigualdade entre homens e mulheres na política brasileira

Por meio de números e outros dados, a ministra do Tribunal Superior Eleitoral, Luciana Lóssio demonstrou a imensa desigualdade entre homens e mulheres nas últimas eleições brasileiras. O encontro aconteceu no dia 10 de março, sexta-feira, no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS), durante o debate “A participação feminina na Política e nas Instâncias Decisórias”, na rua Duque de Caxias, 350.

Segundo a magistrada, em relação à presença delas no parlamento na América do Sul, o Brasil se encontra em posição subalterna, de pouco destaque, atrás apenas de Belize e Haiti. Criticou a diferença entre as porcentagens por gênero de cota mínima para candidaturas (30%), de participação no Fundo Partidário (5%) e de tempo de exposição nas propagandas (10%). “A conta não fecha”, afirmou.

No México, diz Luciana, 42% do parlamento é formado por mulheres. “Será que a brasileira é destituída de ambição, já que os partidos políticos são formados por 44% de filiadas?”, questiona. Em primeiro lugar, 52,2% do eleitorado no país é feminino, mesmo assim, o aumento de vereadoras eleitas, deputadas estaduais e distritais eleitas foi de 1% nos últimos anos. O de federais, cresceu 9,94 % (29 eleitas em 1998 para 51, em 2014).

No de senadoras, o porcentual foi um pouco maior, de 18,52% (de 2 para 5, no mesmo período). De governadoras se manteve em 1%. E, de prefeitas, de 659, em 2012, para 641, em 2016 (com uma baixa de 11,84% para 11,57%). Em cinco estados brasileiros, diz a ministra, as mulheres foram utilizadas como candidatas laranja. “Algumas estavam concorrendo nas eleições e não sabiam. Vamos ter mão firme e uma atuação mais segura, combatendo as candidaturas fictícias e mantendo a participação igualitária”, revela a magistrada.

Os cinco estados com a menor participação feminina em cargos eletivos foram: Amazonas, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e o Paraná. O número de ministras de Estado por governo presidencial subiu de 1desde João Figueiredo para 10, com Dilma Roussef. O maior número de eleitas em 2014 é do PT, com 9 deputadas e 1 senadora.

E mais:

26,2% dos magistrados federais são mulheres;

Em 27 tribunais estaduais e distrital, 20% são desembargadoras;

De 1.500 cargos de desembargadores, apenas 298 são ocupados por mulheres.

Imagens: Marcos Carvalho Jr. e Érik Pastoris ASCOM/TRE-RS

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