Oprah: um discurso coerente com a luta das mulheres no mercado de trabalho

Durante a entrega do Globo de Ouro deste ano, a jornalista, atriz e empresária Oprah Winfrey ganhou a cena ao ser considerada a grande vencedora da noite. A consagração veio do público, por meio das redes sociais. A personalidade subiu ao palco para receber o prêmio Cecil B. DeMille e fez um discurso impactante o suficiente para transformar suas ideias no assunto do dia.

Como comunicadora, proferir as palavras certas soa natural. Bem ao gosto de grandes produções hollywoodianas, muito das afirmações ditas pela bilionária e, diga-se, uma das mulheres mais ativas no mundo da filantropia, coincide, e muito, com a realidade brasileira.

Baseado em pesquisas, segundo informações divulgadas no site da Organização Internacional do Trabalho, o assédio sexual é uma das formas de aumentar as desigualdades e reforçar as relações de poder no ambiente de trabalho, retirando oportunidades das vítimas e fazendo com que muitas deixem suas atividades laborais por medo ou sintomas emocionais.

Investigações da OIT apontam uma maior tendência para as mulheres não qualificadas ou semiqualificadas e em empregos mais vulneráveis. No entanto, ainda não há um tratado internacional de direitos humanos que proíba explicitamente a violência contra trabalhadoras no ambiente laboral.

No livro Igualdade de gênero e raça no trabalho: avanços e desafios, lançado pela OIT em 2010, as meninas compunham a maioria da força de trabalho dos setores mais dinâmicos da indústria no começo do século 20 em vários países da América Latina, entre eles o Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Chile.

Mesmo depois (anos 20, 30, 40 do século passado), quando o discurso dominante propunha uma “volta ao lar” (um processo de “domesticação” da classe trabalhadora) , o retorno pode ter sido questionado.

No que diz respeito a questões trabalhistas, a análise de acordos e convenções coletivas registrados pelo DIEESE, entre 2001 e 2006, ajudou a verificar alterações significativas, especialmente no que se refere ao assédio sexual e moral.

Essas duas garantias, que estavam praticamente ausentes em períodos anteriores, intensificaram sua presença, embora, em sua maioria, não apresentem avanços em relação aos direitos legais. Pela primeira vez uma negociação assegura a garantia de apuração de denúncia de assédio moral e sexual e punição ao agressor. Mas, o caminho ainda é longo.

 

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